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Veja espicha e esconde prédios em ranking fajuto de arranha-céus

POR Realle Palazzo-Martini | 12/09/2017
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A revista Veja cometeu um erro monumental na sua última edição ao tentar fazer um ranking dos 10 maiores edifícios em construção no País. Especialmente em Goiânia, capital do Estado de Goiás, a revista da Editora Abril espichou pelo menos um empreendimento, o Orion Business, e ignorou solenemente outro, o Kingdon Park Residence, que, ao ser inaugurado, será o prédio mais alto do Centro-Oeste.

 

A revista listou portentosos arranha-céus do Balneário Camboriú, que recebe na orla as maiores edificações do Brasil. A cidade catarinense possui os cinco maiores projetos do País, a começar pelo impressionante Yachthouse, duas torres com 275 metros cada, a ser finalizado em 2019; o colosso vem seguido do One Tower (268m); do Infinity Coast (239m); do Epic Tower (190,5m); e da torre Millennium (184m).

 

Até aí tudo bem!

 

Mas quando chegou em Goiânia começou a bagunça. A revista cita, na sequência dos arranha-céus do Balneário Camboriú, o Orion Businnes, cuja inauguração está prevista para 2018. O problema é que Veja usou como fonte o marketing do empreendimento, e não seu projeto. Nas notícias da mídia local sobre o Orion, sua altura varia entre 165 metros e 193 metros de altura – esta última relacionada no próprio site do empreendimento.

 

O GBrasil apurou no setor responsável na Prefeitura de Goiânia que, no projeto do Orion, constam, do subsolo ao heliponto, 139,6 metros de altura. Sua dimensão vertical sequer o colocaria entre os 10 mais do Brasil relacionados pela publicação paulista.

 

Mas onde está o problema? Está em uma antena, divulgada como "pináculo", a somar os metros necessários para colocar o edifício como o maior do Brasil, mesmo que temporariamente. O normal e aceitável em relação à altura dos prédios é contabilizar a estrutura de concreto do projeto arquitetônico, onde as pessoas podem circular, aquele que na prefeitura soma 139,63m.

 

Tivesse feito uma apuração precisa, a revista Veja informaria com correção que o sexto maior edifício a ser inaugurado em terras tupiniquins é o Kingdon Park Residence, na capital goiana, que ostenta 180,7 metros.

O Kingdon Park é um monumento altíssimo não apenas na dimensão, mas no luxo; o empreendimento da Sim Engenharia é tão-somente residencial e terá 52 pavimentos com pé-direito médio de 3,40 metro. O Orion, em comparação, tem apenas 43 andares. Se fosse edificado com pé-direito mais usual no mercado, de 2,72m, o Kingdon Park teria prá mais de 65 andares.

Com um apartamento por andar, situado na Nova Suíça, setor entre os mais nobres de Goiânia, as unidades do colosso goiano é disputadas a tapas pelos endinheirados do Estado (que não são poucos). A única cobertura, um dúplex de inimagináveis 793,45 metros quadrados, já foi arrematada por um famoso e remediado empresário do segmento educacional. As demais 45 unidades, uma por andar, ostentam 482,76 metros quadrados.

 

Somente o terraço outliving, com varanda lazer gourmet, possui 96,3 m² – o tamanho de um apartamento padrão comum. Por comparação, é possível dizer que não se trata de um simples apartamento, mas de uma mansão suspensa.

 

O Kingdon Park Residence, para além da exclusividade, é uma obra eminentemente goiana; do projeto arquitetônico aos cálculos, estes da caneta da respeitadíssima Colmeia Consultoria e Projetos Ltda., com autoria de Leonardo Martins Caetano e coautoria de Julinho Caetano de Almeida, Jales Almeida Silva, Marco Aurélio Tavares Caetano, Igor Araújo Torres e Pedro Nasser Caetano.

 

O concreto de alto desempenho (CAD) utilizado nos blocos de fundação e na estrutura demandou um estudo térmico para avaliação e controle das temperaturas geradas a partir das reações exotérmicas do cimento no processo de hidratação. Desafio agravado em razão das grandes dimensões das peças estruturais. "Um único bloco de fundação da obra consumiu 855 metros cúbicos de concreto, o equivalente a 107 caminhões betoneira", explica o engenheiro responsável pela obra, Hugo Alexandre. Só para a concretagem da última camada deste bloco, que recebeu 360 m³ de concreto, foram empregados 31 mil quilos de gelo, diz Hugo.

 

Todo o concreto empregado nos pilares da superestrutura recebem a adição de 80 quilos de gelo por metro cúbico. "Todo esse cuidado tem por objetivo evitar possíveis fissurações de origem térmica", afirma o engenheiro.

 

Só dois projetos não foram executado no Estado; um pela ausência de empresa especializada, e outro contratado junto ao renomado escritório de paisagismo Burle Marx.

 

O prédio foi o primeiro empreendimento de Goiás que passou por testes em túnel de vento, com um modelo na escala de 1/200, para determinar os carregamentos sobre a edificação em decorrência da ação do vento. As rajadas foram lançadas na proporção do dobro da média dos ventos mais fortes em Goiânia, que mal chegam aos 60kmh entre os meses de agosto e setembro. Para conferir maior precisão nos resultados, foram reproduzidos os edifícios em redor num raio de 150 metros. 

Apenas uma outra construção em Goiás teve o mesmo cuidado: a nova Basílica da Divino Pai Eterno, em Trindade, a capital goiana da fé, distante 18 quilômetros de Goiânia. "Nos custou R$ 100 mil", revela o diretor comercial da Sim Engenharia, o engenheiro Paulo Silas Ferreira. "Mas no fim economizamos R$ 240 mil com o ajuste das cargas", comemora. 

O Kingdon Park é também a primeira obra em Goiás feita inteiramente com o CAD, que confere maior resistência à edificação, e a atender a 100% da NBR 15.575, a última palavra em normatização técnica e que tem o intuito de conferir alta qualidade nas edificações nacionais. 

 

O concreto empregado na construção, após longo período de estudos e ensaios, foi o primeiro a atingir resultados tão elevados para o modulo de elasticidade do concreto (parâmetro utilizado para caracterizar a deformabilidade dos materiais) em Goiás. "Conseguimos atingir resultados superiores a 40GPa, o que à época era muito superior ao histórico da nossa região", revela Hugo Alexandre.

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