Opinião

Eleição das redes: ambiente hostil decidirá pleito em 2018

POR Alexandre Bittencourt | 21/09/2017
img/noticias/Eleição das redes: ambiente hostil decidirá pleito em 2018
A

A eleição de 2018 será travada em um ambiente de hostilidade muito mais acirrado do que foi o da eleição de 2014, marcado pela agressiva campanha do PT contra Aécio Neves (que foi fundamental para impedir a virada do candidato do PSDB à Presidência da República). A guerrilha virtual se profissionalizou. 

 

O combate, que há até pouco tempo se restringia à troca de memes e paródias contra adversários, transformou-se numa sofisticada guerra de informações que transitam entre a pura verdade e o completamente falso. Comparar as eleições de quatro ou oito anos atrás ao que acontecerá no ano que vem, nas plataformas digitais, equivale a equiparar as guerras púnicas à invasão norte-americana ao Afeganistão.

 

O mundo vive sob o reinado das fake news. O símbolo desta nova era é o presidente Donald Trump, dono do perfil mais badalado do Twitter na atualidade, que dedica-se, cada dia mais, a desmoralizar o conceito de verdade porque a abordagem da imprensa sobre os fatos costuma desagradá-lo.

 

Distorcer informações tornou-se algo tão corriqueiro e perigoso que, na cobertura do terremoto do México, em setembro de 2017, a jornalista Larissa Werneck admitiu, na Globonews, que o suposto resgate de uma garota chamada Frida Sofia, sobre o qual ela informou em diversos boletins ao longo do dia na emissora, não existia. Era fruto de alguma mente desocupada que aproveitou-se da tragédia para obter likes na sua página de internet. 

 

Tais indícios sugerem que as redes sociais se transformarão num ambiente incrivelmente poluído e capcioso nas eleições do ano que vem porque, somado às fake news, os candidatos haverão de lidar também com a já conhecida agressividade e desinteresse dos eleitores com a política. Não há atalho para fugir desta máquina de moer reputações, mas existe um caminho, um único caminho: planejamento e profissionalização. 

 

Políticos que desdenham do potencial das redes sociais costumam delegar a gestão de seus perfis à sobrinha, ao enteado ou à pessoa que estiver menos sobrecarregada em seu gabinete. Não gastam com isso mais do que uma mixaria. É um erro. Existe um longo caminho a se percorrer até que um candidato se consolide e garanta o mínimo de blindagem nas redes sociais. É quase impossível colher bons resultados se este trabalho não começar a ser feito com pelo menos um ano de antecedência e com gente competente. Existe muito o que se planejar. 

 

À medida em que a eleição se aproxima, brotarão mais e mais “social medias” que prometem entregar resultados estupendos na internet. Antes de contratá-los, é importante observar a equipe que os acompanha. Bons times reúnem jornalistas bem relacionados, craques de texto e conhecedores da realidade local, além de um especialista em impulsionamento e patrocínio de marca (algo que precisa começar com antecedência, porque o impulsionamento será vedado na eleição). 

 

É imprescindível que a equipe seja ágil e que não exija horários fixos para trabalhar, porque oportunidades e crises surgem a todo momento e demandam dedicação integral. Estes custam caro, mas valem cada centavo de investimento. Por fim, é recomendável que o candidato pule fora de profissionais que prometem blindagem absoluta ou que prometem eleger alguém com posts de Facebook, Twitter e Instagram. Em redes sociais, o imponderável é a regra e cercar-se de equipes competentes garante, no máximo, que o bom combate será travado. O resto vem com suor e sangue.

COMPARTILHE:

Notícias Relacionadas

21/09/2017 É improvável que DEM renasça com Huck, diz especialista

Preferência do Sudeste pelo PSDB e do Nordeste pelo PT torna improvável êxito do DEM, na opinião de Alberto Carlos de Almeida.

21/09/2017 BRT de Goiânia é a cabra que colocaram na nossa sala

Cronograma atrasado e suspeitas de corrupção levam goianiense a pensar que rotina de ônibus e terminais superlotados era real felicidade.

21/09/2017 Golpe militar: brincadeira de mau gosto virou papo sério

Risco de intervenção não foi contornado, ainda que Palácio do Planalto e o frágil ministro da Defesa, Raul Jungmann, avaliem que sim.

21/09/2017 Encruzilhada democrática

"Solução, como sempre, está nas mãos do eleitor, cuja consciência cívica e compromisso com o futuro da nação brasileira precisam se aguçar"

INSCREVA-SE

Cadastre seu e-mail e fique por dentro de todas as notícias do Brasil e do mundo com publicações realizadas pelos melhores jornalistas do Brasil. A plataforma inteligente do GBrasil oferece o melhor do conteúdo jornalístico exclusivo para você.

ENVIAR
Obrigado por se inscrever em nosso site. Aguarde novidades!
ACOMPANHE AS NOSSAS REDES
  • Show da Manhã - Jovem Pan-GO