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10 motivos pelos quais se fala tanto da Tesla

POR Colunista Você tem que conhecer | 11/04/2017
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Você muito provavelmente já ouviu falar da Tesla. A presença frequente no noticiário, o "papo reto" do chefão com os seguidores nas redes sociais e as inovações da empresa fazem parecer que ela já é uma das maiores dos Estados Unidos.

Em valor de mercado, até chegou lá: na última segunda-feira (10), se tornou a montadora número 1 na bolsa de Nova York, superando a General Motors. Em termos de volume e faturamento, no entanto, ainda é uma pequena fabricante de carros elétricos.

Mas, afinal, por que ela se valorizou tanto e é tão famosa? Inovação, ambição e marketing são palavras-chave desse sucesso. O G1 lista, abaixo, 10 motivos pelos quais se fala tanto da Tesla.

 

1) Estranha no ninho

A Tesla foi fundada em 2003 por engenheiros no Vale do Silício, na Califórnia, onde nasceram AppleGoogle e outras empresas que "pilotam" a revolução tecnológica pela qual o mundo vem passando nos últimos anos.

Ou seja, surgiu bem longe do "berço" da indústria automotiva americana, que são os entornos de Detroit, em Michigan, onde estão General Motors, Ford e Chrysler, as "3 grandes" do mercado local.

Mais do que geografia, isso significa que a Tesla se inspira na operação das empresas de tecnologia.

Uma das principais diferenças entre ela e as montadoras tradicionais é não ter concessionárias. Os carros são comercializados pelo site da marca e nas lojas, que são pequenas e não têm pronta entrega. Também não existe estoque: eles são fabricados sob encomenda.

 

2) Aposta no futuro

A Tesla já começou como fabricante de carros 100% elétricos.

O primeiro a ser vendido, o esportivo Roadster, foi lançado em 2008. A autonomia - o quanto ele conseguia rodar sem precisar recarregar a bateria - era de 354 km, bem grande para a época e mesmo para a atualidade.

lento: acelerava de 0 a 100 km/h em 3,9 segundos. Mas levava 1 ano entre a encomenda e a entrega: eram produzidas 3 mil unidades por ano.

Depois do Roadster, a Tesla lançou o sedã esportivo Model S (2012), já pensado para ser produzido em maior escala. Em seguida, vieram o SUV Model X (2015) e, ainda neste ano, deve ser lançado o "popular" Model 3. Todos equipados com baterias de íon-lítio, como as de notebooks e smartphones, só que bem maiores.

 

Com a meta de chegar à produção de 500 mil veículos por ano em 2020, a Tesla precisará de mais baterias do que todas as fabricantes atuais conseguiriam prover. Assim, ela abriu sua própria fábrica, no ano passado, em parceria com a Panasonic.

 

Gigafactory, no deserto de Nevada, já produz, mas ainda levará alguns anos para estar completa, com seus 13 km² de área.

Ela deverá dobrar a quantidade de baterias de íon-lítio existentes no mundo: o que gera uma das polêmicas em torno da marca, envolvendo o descarte desses produtos.

Outra iniciativa da Tesla foi aumentar o número de postos de recarga para os carros nos EUA. E ampliar o foco, comprando uma fábrica de painéis solares, a SolarCiy.

 

3) Chefe-celebridade

Presidente da Tesla, o sul-africano Elon Musk é ainda uma celebridade da internet.

Se Donald Trump ganhou muita visibilidade com seus tuítes que até adiantavam medidas do futuro governo, Musk já mantinha há muitos anos um canal direto para falar com fãs e críticos. Tem 8 milhões de seguidores, quase o dobro do que o CEO da Apple, Tim Cook.

 

Pelo Twitter ele revelou planos ambiciosos para a Tesla, inclusive a venda do próximo modelo no Brasil, adotando um estilo diferente da Apple, por exemplo, que costuma manter segredo sobre os lançamentos.

Às vezes raivoso com desafetos ou a imprensa, Musk também esbanja ironia na rede: escolheu desenhar um unicórnio soltando gases para avisar que os carros da Tesla agora terão um aplicativo de desenho no sistema de entretenimento.

 

Apesar de ter apoioado Hillary Clinton na corrida presidencial, o "chefão" da Tesla foi chamado por Trump, junto com outros executivos, para um grupo que discute soluções para a criação de mais emprego nos EUA.

Musk nasceu em 1971, na África do Sul, filho de um engenheiro e de uma modelo. Ele começou a fazer faculdade no Canadá e depois foi estudar nos EUA.

Em 1999, sua empresa de pagamentos on-line se juntou a outra, formando a gigante PayPal. Em 2002, ela foi vendida para o eBay por US$ 1,5 bilhão: a maior parte das ações pertencia a Musk.

Naquele ano, ele fundou a SpaceX, no segmento aeroespacial.

Musk foi para a Tesla em 2004, um ano depois da empresa ser criada por Martin Eberhard e Marc Tarpenning. Ele foi o responsável por obter financiamento e, após a crise econômica de 2008, assumiu o papel de líder da montadora.

4) Perdendo dinheiro...

Apesar de toda a fama, a Tesla tem reportado mais prejuízos do que lucros. Desde que entrou na bolsa, em 2010, o primeiro lucro trimestral foi em 2013. Depois, em meados do ano passado, quando Musk anunciou que a empresa não precisava mais de financiamento.

Mas ainda não chegou a reportar lucro anual. As perdas em 2016 foram de US$ 219,4 milhões, inferiores, no entanto, às de 2015. No 1º trimestre deste ano, a Tesla continuou a registrar prejuízo.

5) ... mas ganhando valor

Apesar disso, a montadora reportou um recorde de entrega de 25 mil carros entre janeiro e março últimos. Isso animou investidores, segundo as agências, e fez com que as ações da Tesla começassem a subir.

Na última semana, a montadora chegou a superar o valor da Ford, de cerca de US$ 45 bilhões. Nesta segunda (10), bateu, por pouco, a GM, e se tornou a montadora com maior valor de mercado nos EUA. Ambas foram avaliadas em US$ 51 bilhões.

Para analistas, a Tesla é um caso de "story stock", ou ações cuja negociação se apóia não nas métricas tradicionais, como vendas e lucro, mas na história e na promessa do que pode vir a se tornar. Foi assim com a Amazon, que revolucionou a venda on-line, mas, por alguns anos, teve resultados abaixo da expectativa.

6) Ainda é pequena

De qualquer forma, apesar de ter superado a GM em determinado momento no mercado financeiro, a Tesla ainda é pequena perto de suas principais concorrentes dentro e fora de "casa" em termos de volume. Compare os números de 2016, segundo a France Presse:

  • a Tesla produziu 84 mil automóveis e teve um volume de negócios de US$ 7 bilhões;
  • a GM fabricou 10 milhões de carros e teve uma receita superior a US$ 166 bilhões

Ou seja, mesmo quando -- e se -- atingir a meta dos 500 mil carros ao ano, a Tesla ainda ficará muito aquém do volume das grandes montadoras.

 

Sua concorrência também deverá aumentar. Com a crise econômica, que fez o preço da gasolina subir muito nos EUA na época, e a pressão por menos emissões de poluentes, outros grandes nomes da indústria automobilística voltaram a investir em carros elétricos.

Depois do híbrido Volt, lançado em 2009, em pleno renascimento da montadora, a GM entrou na "corrida" com a Tesla pelo elétrico popular e está na frente: já vende o compacto Bolt nos EUA. Até então esse mercado era explorado apenas pela Nissan, com o Leaf.

 

A Volkswagen, depois do escândalo do diesel, também se voltou ao esse tipo de tecnologia. E a Toyota pretende que, até 2050, nenhum de seus veículos seja movido à combustão tradicional.

 

7) Incomoda muita gente

Mesmo pequena, a Tesla incomoda. Lembra que ela não tem concessionárias? Pois isso é ilegal em certos estados nos EUA. Há uma lei que obriga que as montadoras vendam carros por meio de concessionárias.

Musk tem brigado contra isso, mas esse é o motivo de ele boicotar o maior salão do país, o de Detroit. O estado de Michigan é um dos que barram a Tesla.

 

8) Piloto automático e morte

morte de um motorista ao volante de um Model S, no ano passado, também colocou a Tesla em uma situação delicada. Isso porque o acidente aconteceu enquanto o carro estava no modo Autopilot.

É assim que a montadora chama seu sistema de "piloto automático" limitado: o carro pode assumir o controle dentro de certos limites, desde que o motorista demonstre, de tempos em tempos, que está atento.

 

A colisão do Model S com uma carreta foi o 1º acidente fatal no mundo com esse tipo de tecnologia e levantou a discussão sobre os carros 100% autônomos, que ainda não estão à venda.

Supostamente, os sensores do Autopilot poderiam ter detectado o veículo maior, que subitamente fez uma curva à frente do Tesla.

No entanto, a investigação do governo dos EUA concluiu que não houve nenhuma falha no veículo. Ela apontou que houve distração do motorista e que os sistemas de frenagem automática e Autopilot não contribuiram para o acidente.

Enquanto a apuração transcorria, a Tesla fez atualizações no sistema. Uma das novidades é desligar o "piloto automático" se o motorista não responder a avisos sonoros.

 

9) O próximo lançamento

Todas as atenções agora estão voltadas ao lançamento do Model 3, o elétrico "popular" da Tesla. A montadora já sai atrasada em relação do Chevrolet Bolt, da GM, que chegou às lojas neste ano na mesma faixa de preço prometida por Musk, de US$ 35 mil.

 

A montadora diz que a autonomia chegará a 346 km. As primeiras imagens do carro foram mostradas no ano passado, sob grande expectativa, quando a Tesla começou a aceitar reservas por meio do pagamento de US$ 1 mil adiantados. Foram feitas 250 mil reservas. A entrega deve começar até o fim deste ano.

10) O céu é o limite

As ambições da Tesla são constantemente questionadas por analistas. Depois do sucesso das reservas do Model 3, surgiram preocupações de que a montadora precisaria de mais dinheiro para acelerar a produção e fazer as entregas dentro do prazo.

Além disso, há discussões em torno da própria viabilidade dos veículos elétricos. Em uma pesquisa anual da consultoria KPMG, executivos do setor automotivo apontaram os motores elétricos como a tendência mais importante para os próximos anos. Mas também disseram que problemas de infra-estrutura podem boicotar o sucesso da tecnologia.

Há ainda questões ambientais como descarte de baterias, utilização de energia elétrica de fonte não renovável, emissão de gases na fabricação dos veículos, entre outras.

Apesar dos robustos investimentos nos carros elétricos, Musk mira além. Ele também é dono da Hyperloop, empresa que aposta em transporte por cápsulas. A ideia é carregar pessoas por tubos a 1.200 km/h até 2021.

 

E mais: o dono da Tesla tem um plano para colonizar Marte. Uma de suas frases mais citadas é:

"Quero morrer em Marte - mas não por um impacto", disse Elon Musk.

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